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04/09/2015

Avis - Bifes com alho e batata aleatória

Existem modas naquilo que se come, como em tudo o mais. No entanto essas modas, nem sempre se globalizam, como descobri(no caso que agora me interessa) ao ver o Masterchef Argentina.

Nesse concurso, surgiu a questão do ponto de cocção para a carne de vaca. Apesar da moda e do chef francês presente no júri, os concorrentes insistiram em defender que na Argentina a carne de vaca quer-se tostada,  ou seja, "bien hecha".
O frog rasga as suas vestes, clama sacrilégio e ameaça de excomunhão(metaforicamente, claro, pois limitou-se a um simples "jamais")...

Porquê? As vacas pediram? A carne estraga-se quando deixa de estar vermelha/rosada?  Há 30 ou 40 anos era preciso avisar quando se queria a carne "mal passada", e hoje, o gosto vigente pretende excluir os argentinos, que por acaso têm bovinos muito apreciados, do mundo dos entendidos.
Ora bolas para a sabedoria e para a moda!

Já falei dos bifes à antiga que servem no Zé da Mouraria. Por acaso, nem são muito bem passados e a minha versão até vai um pouco mais longe, mas o resultado tem sido bom. Desde a primeira vez que os fiz, foram sempre apreciados e louvados.

Acima da moda está a memória, e se esta não existe para sushis e ceviches, existe por certo para os "nossos" clássicos bifes pouco grossos (coisa de gente pobre)e bem temperados.

Essa foi a minha proposta, em Avis, para um jantar desses que têm tanta gente que se fazem 2 turnos: os miúdos e os cotas...

A coisa complicou-se com a decisão de fritar batatas,  como todos preferiam (e eu também), mas:

  • Não havia nenhuma fritadeira, seriam fritas em frigideiras
  • Quanto tempo demoraria?
  • Quantos quilos de batatas?

Os mais acérrimos defensores da ideia (o Rodrigo e o Abelho) olhavam para a saca da batata roxa e diziam que era melhor fazer tudo, eu achava um absurdo e que a coisa se eternizaria muito para além do razoável., fiz contas por cada cabeça, tentei demonstrar o tamanho da tarefa, mas tudo em vão.

Eles venceram e o Rodrigo começou a descascar, lavar e fritar batatas como se fosse um atleta de alta competição.
Batata aleatória, foi o nome dado ao corte.
Mas correu bem. Muito bem.

Eu não tinha razão e a minha dose de batatas soube-me muito bem. No final, sobraram talvez 10 palitos e não valia a pena chamar a atenção para coisa tão pouca... seriam os da vergonha.

Os bifes tinham sido comprados no talho do supermercado novo de Avis.
- Vou ali buscar-lhe uma peça boa - disse o excelente talhante, que nesta e noutras ocasiões mereceu (e recebeu) louvores. Com essa carninha bem cortado, tendo aquele toque lateral de gordura que lhe fica tão bem, eu fiz o tal tempero fora de moda,

10 dentes de alho picados
1 copo de vinho branco
5 folhas de louro
pimenta preta

e deixei-os a marinar por 1 hora.

Na altura de fritar, e quando já estava encontrado o espaço de trabalho, levei ao lume 1 frigideira com azeite e banha, escorri os bifes, temperei com sal e comecei por lhes dar uma fritadela rápida de ambos os lados.

Cotovelo com cotovelo mas sem atropelos, eu tratava dos bifes e o Rodrigo vigiava duas travessas de batatas.
A coisa ia avançando.

Depois da primeira "entaladela" terminada, deitei para a frigideira os alhos que tinham escapado, as folhas de louro e o vinho branco da marinada para com isso recolher todo o sabor que a carne deixara. Mexi, deitei mais um pouco de vinho, provei, dei um tascoso toque de vinagre e quando a coisa me agradou juntei a primeira dose de bifes (da criançada) para os acabar.

A partir daí e já em ritmo certo, fomos despachando pratos e dando de comer a todos os presentes com alegria. Muito molho, muito pão, muito bife, muitas batatas... enfim uma coisa à antiga e onde não se colocou a questão do ponto da carne. Foi com o ponto "assim mesmo" 

10/05/2014

Real de Madrid x Bayern Munchen

A minha filha gosta de comer coisas que não exijam talheres.
Não tem muitas oportunidades de o fazer, para além dos pianos, asas de frango, espetadas pequenas e pouco mais.  Não sei se gostaria de sardinhas assadas sobre broa, eu da idade dela não gostava, pois as sardinhas não eram nada óbvias de comer e mais cedo ou mais tarde caiam na areia estranha do pinhal (só aí comia as ditas).

No dia do Real x Bayern pensei que um "tv dinner" vinha a calhar, pois a hora do jogo atravessava a hora da última refeição do dia e, uma coisa de comer com as mãos facilitava a tarefa de comer e ver o jogo. Disse-lhe que o jantar seria tortillas. Ela pensou que seriam espanholas, com ovo e batata, mas era das mexicanas que eu falava. Com puré de feijão, bife de vaca, alface e uma "salsa" de tomate e manga.
Os bifes  marinaram em miso (1 colher de sopa), soja(1 colher de sopa),  alho (3 dentes esmagados) , vinho branco (2 colheres de sopa) e açúcar amarelo (1 colher de chá) depois foi escorrido e frito. No fim tirei o bife e deitei a marinada para reduzir um pouco, juntei 1 colher de sopa de manteiga, apaguei o lume e juntei a carne já partida em tiras.
Para o puré de feijáo levei ao lume uma frigideira com azeite e alho, deitei os feijões (1 lata pequena de feijão encarnado escorrido) e um pouco do líquido. Salteei e depois com a varinha mágica reduzi a um puré aromatizado com orégãos e azeite cru.
A salsa levou meia manga em cubos e um tomate sem pele, também em cubos. Piqei 2 chalotas e temperei com azeite, sal e um pouco de salsa picada.
A alface foi só lavada e deixada a escorrer
As tortillas (de trigo) foram aquecidas numa frigideira seca para ganharem um pouco de cor e amaciarem.
Levei tudo para a mesa para podermos enrolar e comer enquanto o Real ia marcando os 4 golos da derrota alemã.

Olé!  

01/06/2013

Porque hoje é sábado

A minha filha está a estudar e por isso estamos em casa, apesar do sol que tudo inunda, aqui nesta cidade luminosa. E se nós não vamos a lado nenhum, venha qualquer coisa até aqui, uma celebração do sol ao almoço.

Fiz tzatziki


Meio pepino descascado, ralado e espremido
1 dente de alho pequeno muito bem picado
250g de iogurte grego
3 colheres de sopa de azeite
1 colher de sopa de salsa picada
sal e pimenta

Mistura-se tudo, e vai ao frigorífico para refrescar

Fiz hummus


1 chávena de grão cozido
1 dente de alho picado
1 colher de sobremesa de tahini (pasta de sésamo)
5 ou 6 colheres de sopa de azeite
sumo de meio limão
sal
tomilho ou óregãos ou ambos
água

Deita-se o grão no copo misturador, com o alho, o tahini e  o azeite.
Começa-se a bater para reduzir a puré
Junta-se o sumo de limão e nessa altura a pasta vai engrossar bastante e então deita-se água aos poucos até ter a consistência da maionese
Tempera-se com sal, as ervas e mais azeite. Se for preciso juntar mais sumo de limão. Antes de servir deitar mais algum azeite por cima e não misturar - o hummus é para  quem gosta de azeite .

Fiz salada de tomate 

tomate, cebola, sal, azeite, óregãos...

e Bifes

Grelhei dois bons bifes de vaca, que antes de irem para o calor foram untados com uma mistura de azeite, alho e sal
Enquanto os bifes grelhavam preparei o molho com:

1 colher de sopa de salsa picada
1/2 colher de sopa de cebolinho picado
1/2 colher de sopa de coentros picados
1 chalota picada
2 colheres de sopa de azeite
1 colher de chá de vinagre

Antes de servir deitei o molho sobre os bifes e torrei 2 fatias de pão  para ajudarem a comer tudo aquilo

- Pai, isto é aquela cena de grão que eu adoro?

Não sobrou nada

12/04/2013

Carnes no talho


Fraldinha é o mesmo que skirt? E se eu quiser isso, que devo pedir no meu talho? Chuck é o quê? Quando pedimos alcatra o que é que esperamos? E Top side? Maminha?
Que grande confusão esta dos nomes que se dá aos cortes de carne, e olhando para um "mapa" da vaca(ou boi) entende-se porquê. Além dos nomes, os cortes também são diferentes.
Nesta confusão se vou ao supermercado encontro a carne já cortado e etiquetada, e no talho digo coisas como:
-Quero 1/2Kg de carne para guisar!
-Quero bifes mas bons!
e ao mesmo tempo penso: Aquilo que a minha mãe chama rosbife, o que será? Ganso? Para que serve? Aqueles bifes de cebolada eram cortados de onde?

Nesta época de google, curiosidade e serviços, os talhos deviam modernizar-se, olhar os clientes nos olhos e saber responder às perguntas destes com respostas atentas. E poucos o sabem fazer.

Um mapa brasileiro
http://www.acidezmental.xpg.com.br/imagens/mapadoboigrd.jpg


13/03/2013

Princípio

no princípio era(estava) tudo cru e por isso pouco se podia comer

depois veio o fogo, começou a culinária e com ela novos prazeres. 

primeiro foram os grelhados, depois os cozidos e a coisa nunca mais teve descanso até aos nossos dias, onde convivem lado a lado a fome de uns, as dietas de outros, a arte de muitos aspirando a ir mais longe, para tantas vezes atingirem apenas o desvario.

eu cozinho por muitas razões, mas tenho sempre presente a necessidade de comer várias vezes ao dia e se as fatias de bom pão com manteiga ou queijo pontuam os intervalos, na hora de almoçar ou jantar quero alguma coisa saborosa e bem feita.  não me lembro já da última refeição tomada só para despachar, numa bomba de gasolina ou de pé ao balcão da pastelaria. tenho fome mas não é assim tanta

uns dias há caril, noutros sopas de bacalhau, guisados de sempre, migas e coentradas várias.
há pratos para chamar a minha filha à cozinha, há pratos para me comover ou comover outros, há sedução e  também alguma gabarolice. há de tudo e não é o preço, nem o empratar, nem a nova máquina de  fazer espuma de caracóis quem me chama.
eu comecei a andar sobre outros pés, os dos meus avós maternos, os da minha mãe e da família desse lado, onde a comida era o assunto principal à mesa e não a conversa como sucedia do outro lado. não me queixo, gosto de ambos e se do lado da mãe chegou mais comida do lado do pai vieram os livros. tudo a somar

no princípio era tudo cru e algo nos ficou disso,  pois aos crus regressamos com as ostras, os sashimis, carpaccios, ceviches e outros como o...

bife tártaro

fui ao cantinho do avillez por curiosidade e por ter gostado da carta. fui  lá para provar o bife tártaro e gostei, também gostei do acompanhamento de batatas fritas. gostei das empadinhas - apesar de muito "inhas" e da farinheira. gostei do vinho e não me lembro se gostei (ou se comi) sobremesa. gostei da companhia mas já gostava antes e foi comigo - o Avillez é alheio a isto. não gostei da luz, nem da proximidade das mesas, nem do serviço. ainda não voltei lá, talvez volte (talvez não) mas alguma coisa se perdeu nessa altura. 
no entanto ficou a vontade de fazer um bife tártaro, porque sim, para seduzir também, para ver se conseguia.

fiz e saiu bem, repeti e saiu bem de novo.


  1. carne boa é importante, não tem de ser lombo de vaca, mas tem de ser uma carne saborosa e bem limpa de peles e gorduras. 
  2. a carne deve ser picada à mão com uma faca bem afiada. primeiro tiras finas contra o veio da carne,  e depois no sentido contrário para obter pequenos cubos. 
  3. para acabar e sem destruir a faca nem a tábua, ir picando a carne até ter a consistência desejada(!!!). se for picada na máquina a carne fica mole demais
  4. juntar outros sabores é fundamental para esta carne crua ter o seu esplendor. as quantidades indicadas são aproximadas e para 350/400g de carne limpa e assim dá-se de comer a 3 gulosos

  • usei chalotas na primeira vez e cebola roxa na segunda (gostei das duas) muito bem picadas - 1 colher de sopa bem cheia ou um pouco mais
  • alcaparras e cornichons - 1 colher de chá de cada, ambos picados 
  • 1 colher de sopa de maionese  misturada com 1 colher de chá de mostarda de Dijon. 
  •  borrifos de molho inglês (worcestershire sauce)
  •  sal e pimenta preta moída
misturei tudo, formei um hamburger que servi com batatas fritas longas e finas  e umas folhas de alface temperadas com um azeite. limão e sal