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06/06/2015

Atum com melancia - para a Madalena

Quando recordo a primeira vez que vi esta receita, andava eu a tentar entender um pouco dos mistérios do ceviche, fascinado com a ideia e com os primeiros sabores e, entre muitas receitas, melhores e piores, encontrei-me no Youtube com este ceviche de atum da Michelle Bernstein.

Mas na verdade, isto só é um ceviche na cabeça dela.  Na minha opinião, é muito bom, mais que isso, é óptimo, inesperado, delicioso mas não é um ceviche. Para ser ceviche faltam-lhe as limas ou qualquer citrino  no seu lugar e a esses ela recusa (e com razão) pois iriam tirar cor ao belo atum.  Eu chamo-lhe Atum com Melancia e chega para espantar.

Continuando no reino do improvável, acrescento que este é um dos pratos preferidos da minha filha e apesar da desconfiança que causa a referência à combinação, tem sido do agrado de todos os que até agora o provaram e são mais de uma dúzia de "vítimas".
Seguindo  em frente, eis os passos que sigo para servir 2 (a filha e o pai):


  • 1 bife de atum, alto e muito fresco, cortado em cubos entre 1 e 2  cm
  •  melancia - a mesma quantidade que o atum e  cortada do mesmo tamanho 
  • 2 colheres de sopa com molho de soja
  • 1 colher de chá com óleo de sésamo (opcional)

misturar tudo e depois juntar os sabores complementares

  • 1 colher de sopa com aipo picado
  • 1/2 cebola roxa picada (se não houver roxa, servem chalotas ou cebola normal)
  • 1 colher de chá com gengibre fresco picado  
  • 1 malagueta fresca sem as sementes e picada ( para a minha filha não junto)
  • 1 colher de sopa de ervas picadas - eu normalmente uso coentros , hortelã e cebolinho, mas o manjericão e os oregãos já participaram sem destoar.
  • sementes de sésamo tostado (eu prefiro para aqui as pretas)  
  • casca ralada de meia lima  (opcional)


provar e corrigir se for preciso

esperar 5 a  10 minutos antes de servir pois o sabor melhora.

Agora só me falta servir isto à Noélia e como vou para lá dia 21 talvez seja desta. Vou por a soja na mala e logo se vê .

Nota: a minha filha gosta muito disto e um dia servi-lhe pipocas salgadas com o atum e ela ainda gostou mais... 

29/04/2013

Salada

(para a Leny e o Luís)




Tempos houve em que se comia melhor, apesar de haver menos escolha.
Isto não é um paradoxo pois nos últimos 35/40 anos adoptámos um modelo alimentar que, para não azedar muito a conversa, será demasiado condescendente.
Há quem viva de piza, hamburgers e batatas fritas, há quem coma bifes a todas as refeições, há quem desconheça as palavras "sopa", "salada", "fruta" e quem viva entre mariscos, foie gras e vinho como se fossem o pão e azeitonas dos velhos espartanos.

Não sou santo nem modelo para ninguém, mas procuro variar, embora raramente coma por razão diferente da gulodice. Tenho por sorte hábitos alimentares herdados do tempo dos meus avós, quando a sopa era maior que o bife, o pão e a fruta faziam parte da dieta diária e pouco ou nada saía do congelador além do gelo.

E como salada porque gosto.

Assim vou saboreando tomate, alface, pimentos, pepinos, azeitonas, nozes, maçãs, mangas, alhos, cebolas etc para além duma lista semelhante de temperos incluindo ervas várias. Quase tudo cru,  tudo bom para saborear e bom para a saúde ainda por cima.

Na casa dos meus avós a coisa resolvia-se sem modernices - tomate, alface e cebola eram a base, no verão lá vinha o pepino e o pimento assado e pronto, daí não passava. Sal, azeite e vinhagre. Tá feito.

Hoje a escolha é grande e mesmo sem alargar a pegada ecológica (como me irritam os espargos do Peru que atacam os nossos supermercados!) podemos variar, mas sem variar também podemos variar e é disso que hoje falo. Variar sem variar, nestes dois examplos a maneira de cortar é determinante .

Uma salada (quase indiana) de tomate e pepino

Comprei 1 tomate, 1 pepino, 1 cebola e 1 lima  
Tu rias ao ver as unidades desfilando. 
-Isso chega? Somos 4!

A salada era para acompanhar um prato que normalmente não a leva, um caril de camarão, mas achei que ficaria bem e iria chegar.
É uma salada vagamente indiana, com tudo cortado muito fino e tratado assim
Pepino cortado e posto a descansar 15 minutos com sal. Depois lavei-o e deite-lhe água gelada
Cebola  cortada, regada com 1/2 lima e com sal.
Tomate cortado e arrumado no prato.

Escorri o pepino e juntei ao tomate
Sobre o pepino deitei a cebola e misturei tudo. Temperei com 1 colher de chá com orégãos, pimenta preta, um fio de azeite, o sumo da outra metade de lima, coentros frescos e um toque final de flor de sal.

Ficou a descansar no frio enquanto  o caril e o arroz acabavam e na mesa foi bem recebida, sem estranhezas ou recusas (antes pelo contrário)  
Esta salada, por levar lima e ser cortada muito fina, fica diferente da salada tradicional. Variar sem variar foi o que escrevi atrás, e inspira-se em saladas asiáticas que normalmente levam malaguetas ( não havia ) e podem ter temperos mais arrojados, incluindo açúcar, molho de peixe(nam pla) e grande quantidade de ervas frescas .  

Uma salada de tomate e azeitonas


1 tomate em cubos pequenos
1/2 cebola picada
12 azeitonas pretas 
1/2 dente de alho picado
1 colher de chá com orégãos
azeite
sal 
pimenta

Misturar, temperar e comer.
Faz boa companhia a muita coisa, mas gosto em especial para acompanhar  uma refeição com qualquer carne grelhada ou um bom queijo de ovelha seco com pão alentejano.
Em alternativa, também acontece torrar o pão, parti-lo em pedaços, fazer o mesmo com o queijo e juntar à salada. 
  

13/03/2013

Princípio

no princípio era(estava) tudo cru e por isso pouco se podia comer

depois veio o fogo, começou a culinária e com ela novos prazeres. 

primeiro foram os grelhados, depois os cozidos e a coisa nunca mais teve descanso até aos nossos dias, onde convivem lado a lado a fome de uns, as dietas de outros, a arte de muitos aspirando a ir mais longe, para tantas vezes atingirem apenas o desvario.

eu cozinho por muitas razões, mas tenho sempre presente a necessidade de comer várias vezes ao dia e se as fatias de bom pão com manteiga ou queijo pontuam os intervalos, na hora de almoçar ou jantar quero alguma coisa saborosa e bem feita.  não me lembro já da última refeição tomada só para despachar, numa bomba de gasolina ou de pé ao balcão da pastelaria. tenho fome mas não é assim tanta

uns dias há caril, noutros sopas de bacalhau, guisados de sempre, migas e coentradas várias.
há pratos para chamar a minha filha à cozinha, há pratos para me comover ou comover outros, há sedução e  também alguma gabarolice. há de tudo e não é o preço, nem o empratar, nem a nova máquina de  fazer espuma de caracóis quem me chama.
eu comecei a andar sobre outros pés, os dos meus avós maternos, os da minha mãe e da família desse lado, onde a comida era o assunto principal à mesa e não a conversa como sucedia do outro lado. não me queixo, gosto de ambos e se do lado da mãe chegou mais comida do lado do pai vieram os livros. tudo a somar

no princípio era tudo cru e algo nos ficou disso,  pois aos crus regressamos com as ostras, os sashimis, carpaccios, ceviches e outros como o...

bife tártaro

fui ao cantinho do avillez por curiosidade e por ter gostado da carta. fui  lá para provar o bife tártaro e gostei, também gostei do acompanhamento de batatas fritas. gostei das empadinhas - apesar de muito "inhas" e da farinheira. gostei do vinho e não me lembro se gostei (ou se comi) sobremesa. gostei da companhia mas já gostava antes e foi comigo - o Avillez é alheio a isto. não gostei da luz, nem da proximidade das mesas, nem do serviço. ainda não voltei lá, talvez volte (talvez não) mas alguma coisa se perdeu nessa altura. 
no entanto ficou a vontade de fazer um bife tártaro, porque sim, para seduzir também, para ver se conseguia.

fiz e saiu bem, repeti e saiu bem de novo.


  1. carne boa é importante, não tem de ser lombo de vaca, mas tem de ser uma carne saborosa e bem limpa de peles e gorduras. 
  2. a carne deve ser picada à mão com uma faca bem afiada. primeiro tiras finas contra o veio da carne,  e depois no sentido contrário para obter pequenos cubos. 
  3. para acabar e sem destruir a faca nem a tábua, ir picando a carne até ter a consistência desejada(!!!). se for picada na máquina a carne fica mole demais
  4. juntar outros sabores é fundamental para esta carne crua ter o seu esplendor. as quantidades indicadas são aproximadas e para 350/400g de carne limpa e assim dá-se de comer a 3 gulosos

  • usei chalotas na primeira vez e cebola roxa na segunda (gostei das duas) muito bem picadas - 1 colher de sopa bem cheia ou um pouco mais
  • alcaparras e cornichons - 1 colher de chá de cada, ambos picados 
  • 1 colher de sopa de maionese  misturada com 1 colher de chá de mostarda de Dijon. 
  •  borrifos de molho inglês (worcestershire sauce)
  •  sal e pimenta preta moída
misturei tudo, formei um hamburger que servi com batatas fritas longas e finas  e umas folhas de alface temperadas com um azeite. limão e sal