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07/08/2015

As fajitas

Ficaram boas as minhas fajitas marroquinas, e quero lá saber que exista o Oceano Atlântico pelo meio, afinal a dieta mediterrânica assenta em produtos que vieram do Novo Mundo e ninguém acha mal.

Devo confessar que as tortilhas de trigo não eram nada mexicanas, antes piadinas italianas (imagem)


Comecei por refogar em azeite, 2 cebolas cortadas em rodelas,  1 pimento verde em tiras e 1 dente de alho picado. Temperei com sal e pimenta e deixe iganhar cor. Reservei

A carne que ficara temperada da véspera, com ras-el-hanout, alho, colorau e oregãos,  foi ao lume para cozinhar até estar bem alourada. Reservei

Na hora de comer, levei a "piadina romagnola" (este é o nome completo) a aquecer numa frigideira sem qualquer gordura. Enquanto o "panito" aquecia, esmaguei um abacate, que temperei com uma pitada de sal, sumo de meio limão e "bué" tabasco.

Para a montagem, comecei por espalhar na piadina ,1 colher de chá com mostarda de Dijon, por cima deitei 2 colheres de sopa de abacate esmagado, várias folhas de alface, as tiras de frango, cebola e pimento e um pouco de queijo fresco de cabra... enrolei com dificuldade e comi com gosto.

Não senti nenhuma confusão, antes, durante ou depois. Comi à mão , alegremente e ninguém se ofendeu com a mistura do pão italiano, tempero marroquino, conceito mexicano e o resto português.

Até porque não estava cá mais ninguém.


Nota: O ras-el-hanout que usei é bom porque é recente, com os aromas vivos e quase separáveis. Muitas vezes encontramos estas misturas no supermercado e são uma desilusão, pois o seu tempo de prateleira não ajuda nada. Este é óptimo, mas o meu nariz diz-me que fazendo a mistura que coloquei no link, não se chega àqueles aromas todos. Ficará uma coisa parecida que pode ser usada em muitos pratos, mas sem todos aqueles(35??) aromas do Norte de África. Como alternativa, basta ir ao Martim Monis e comprar garam masala que tem bastantes elementos em comum e se pode usar da mesma maneira.


07/01/2015

Lombo de porco e batata doce

Eu gosto de estar de volta das panelas a cozinhar. Não é preciso estar a brincar às cozinhas, a testar receitas que acabei de ler, ou a preparar banquetes. Basta-me uma sopa, ou mesmo um pouco de arroz de manteiga, para eu me sentir a descontrair por estar entregue e concentrado, numa tarefa que conheço, domino e me dá prazer. Até torrar uma fatia de pão me parece ter algum mérito e faço-o com todo o cuidado
Por isso, mesmo que não conte aqui muitas das refeições do meu dia a dia, executo-as com todo o empenho e penso nelas para evitar automatismos e o consequente tédio.
No sábado comprei um lombo de porco e, logo no talho, decidi que em vez do tempero habitual(massa de pimentão, alho, louro e vinho branco) ia fazer uma coisa diferente(mas não demasiado diferente.

Assim, quando em casa me virei para o lombo, juntei no almofariz os seguintes ingredientes:
  • sementes de coentro - 2 colheres de chá
  • sementes de cominho - 1 colher de café
  • pimenta branca em grão - 1 colher de café
  • sal grosso - 1 colher de chá
  • alho - 2 dentes
  • raspa de 1/2 limão

e comecei a esmagar, juntando azeite para ajudar(2 colheres de sopa)

A pasta assim obtida, serviu para "besuntar" o lombo, que ficou no frigorífico para o dia seguinte.

Com o lombo no frigorífico e a futura refeição na cabeça juntamente com outras ideias, lembrei-me de batatas doces assadas, uma coisa que me agrada, mas cuja confeção nem sempre vem a propósito, pois acender o forno para assar 4 batatas, é ideia que me parece disparatada em termos de custos energéticos. Mas como o forno seria necessário para assar o lombo, decidi aproveitar e juntar batatas doces para assim ter 2 variações no lombo tradicional. O tempero e o acompanhamento.

Sobre a assadura não há muito a descrever. Lavei e sequei as batatas, acendi o forno a 200º, coloquei lá as ditas sobre uma folha de alumínio. Passados 15 minutos juntei-lhes o tabuleiro com o lombo. Uma hora depois de ter acendido o forno, apaguei-o e pouco depois já se comia (com a alegria da minha filha  que não poupou elogios à batata doce antes e depois da refeição)
Depois de apagado o forno, rasguei ligeiramente a pele das batatas e aí deitei "um pouco" de manteiga para animar.

No fim do jantar sobraram 2 belas batatas e muito lombo, e por isso hoje não vou cozinhar...

11/08/2014

Com ou sem osso

Talvez seja por vermos demasiados programas americanos, onde há sempre "ribs" e "pulled pork", talvez por me lembrar muitas vezes da "carne mechada"que comi na Venezuela, ou porque a minha menina comeu "ribs"num fast food qualquer e gostou. Talvez um pouco de tudo isto, não sei, mas tem acontecido por aqui...

Entrecosto no forno

A menina gosta de coisas que se comam à mão, e gosta deste entrecosto,  marinado numa mistura de molho de soja, alho, açúcar amarelo, cominhos, vinagre, ketchup etc. e cozinhado no forno até a carne se soltar facilmente.
Jantamos isso, com ou sem arroz branco e uma salada de alface.

Como os processos demoram algum tempo (primeiro marinar de um dia para o outro e depois assar no forno ), aproveito para fazer bastante e asseguto outras refições. Para isso, retiro a carne dos ossos que sobraram, desfio-a. Assim temos, por exemplo, com que fazer umas quesadillas.

Quesadilla

Uma tortilla mexicana, que se compra nos supermercados e pode ser de milho ou de trigo, barrada com queijo creme vai aquecer para uma frigideira, apenas untada com um fio de azeite. Quando o queijo começa a aquecer, espalha-se a carne desfiada, junta-se tomate e queijo ralado, dobra-se a tortilla ao meio,  vai  de novo à  frigideira apenas para aquecer e fica pronta a comer.
Também fiz outras com salmão e abacate, por cima do queijo creme.  Ambas ficaram boas, e com uma salada de alface, ficou pronto o tv dinner. Para ver os X-Men
(as tortillas com uma fatia de queijo e outra de fiambre e  aquecidas são óptimas ao pequeno almoço)

Arroz com ...

E se sobrar mais desta carne desfiada, levo ao lume uma cebola às rodelas, alho picado, uns cubos de pimento verde e polpa de tomate, até tudo estar numa papa e então junto a carne, uma malagueta e coentros picados e como por cima de arroz carolino acabado de fazer.
Arroz com coisas em cima é o meu fast food

05/04/2014

Arroz de ossos.

Quando me ofereci para fazer uns lombos de porco, nem sonhava que por isso ficaria a escrita entupida.
Começando pelo princípio.
Há algum tempo atrás, descobri com assombro, que se comprar o lombo de porco com osso, custa em média menos 1 euro por kilo. Depois pede-se para tirar o osso e com mais uns golpes certeiros temos o chamado piano. A diferença de preço é inexplicável mas real.

Neste caso usei os ossos para colocar na assadeira entre alhos, quartos de cebola, folhas de louro, azeite e os temperos do costume. Por cima dos ossos arrumei os lombos que estavam temperados com massa de pimentão, massa de alho, oregãos e uns cubos de banha de porco.
Foi assim a assar durante pouco menos de 1 hora. Nesse tempo fui regando com vinho branco e o líquido que “nascia” no fundo do tabuleiro. Bons aromas e boa cor era o objectivo. Para não falhar, usei o termómetro da carne e aos 65º apaguei o forno, mas deixei lá a carne mais 15 minutos.
Depois disso retirei do tabuleiro a carne e os ossos e fiz o molho com tudo o resto.

Estava terminada a função culinária (achava eu). Os lombos pedidos estavam prontos para enviar, junto com a lasagna de cogumelos que também seguiu para a mesma festa de anos.

Foi então que olhei para os ossos e, por gulodice, tirei um pouco de carne para provar. 
Estava deliciosa e por isso, tratei de a separar dos ossos. Era bastante e merecia atenção.
Os próprios ossos ainda podiam dar qualquer coisa e comecei a pensar num arroz usando os ossos para preparar o caldo.
Levei uma frigideira ao lume e aí deitei um fio de azeite, os ossos, uma cebola, uma cenoura  e um dente de alho (tudo mais ou menos picado), uma malagueta e uma folha de louro. Primeiro salteei e depois juntei água para fazer o tal caldo. Uma vez este coado e temperado avancei para o arroz.

Lembrei-me duma receita que nunca me saíra muito bem, um arroz tipo paella, com carne de porco e espinafres e avancei por aí.
Salteei o arroz(usei agulha por falta do bomba ou calasparra ( os que usam em Espanha e são mais adequados a estes tratos) numa mistura de azeite e manteiga, deitei açafrão, cominhos, coentros, pimenta preta, cravinho e um nadinha de de canela (tudo moído). Depois  juntei a carne e o caldo (o triplo do arroz) e esperei que levantasse fervura.
Deixei a fervilhar na frigideira e fui tratar dos espinafres, que depois de lavados, salteei levemente em azeite para fazerem companhia ao arroz no último minuto de lume.
O caldo foi secando e quando já quase tinha sido todo absorvido, apaguei o lume, espremi meio limão por cima e deixei-o descansar com um pano em cima, por 5 minutos .

Os sabores fortes do caldo e da carne, são equilibrados pelos espinafres e o limão do final. Um pequeno milagre que ficou tão bom que ainda agora receio que tenha sido por acaso. Vou repetir em breve e se ficar de novo assim, voltarei ao assunto.

Com os ossos do lombo, que alguns deitariam fora, fiz uma das melhores refeições dos últimos tempos e isso deixou-me a remoer até agora.

(escrito no comboio a caminho do Algarve, pensando na possibilidade de chegar às Cabanas a tempo de almoçar na Noélia)