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17/02/2016

Calcutá, na rua do Norte

Ando de preguiça em preguiça para escrever qualquer coisa.

Passou o frango do campo guisado com vinho tinto, que foi comido com arroz como se fosse uma cabidela e o resto com batatas cozidas no molho, ambos bons mas a não puxarem pela escrita.

Depois estive quase a contar aquilo que me parecia uma boa ideia quando vi a receita - Abacate com salmão e ovo no forno - e se revelou um desperdício de energia, pois a única coisa que precisava do calor era o ovo. Pessoas mais atentas (ou que se deixam enrolar com mais dificuldade) reagem logo e perguntam-me: Abacate quente? Tens a certeza?  Eu até tinha, até provar...

Dias mais tarde, quando ensinei a minha filha a fazer o entrecosto caramelizado (Vietnam) achei que devia escrever, para ela depois ler e consolidar a lição, mas, uma vez mais a preguiça prevaleceu.

Por fim, quando arregacei as mangas e num gesto de amor resolvi ir a direito pelos caminhos do rosbife, recordando aquilo que a minha mãe faz tão bem, e nos serviu vezes suficientes para eu ficar com uma ideia da técnica e com outra ideia de não conseguir repetir os sabores. Afinal não custa nada. Reunindo aquilo  que recordava  ao resto que fui aprendendo com o passar dos anos, fiz, correu bem e sobretudo agradei a quem queria agradar (numa sedução que não tem fim). Mas não escrevi e tinha assunto, pois na mesma refeição servi uma encharcada que ultrapassou as minhas dúvidas ao ler a receita.
Ainda escreverei sobre este almoço, calando o resto.

E afinal o que me trouxe até à escrita foi uma visita a um restaurante.



Na passada segunda-feira, depois de muito ter insistido junto do Bernardo que me levasse lá, fomos os dois  ao Calcutá, na rua do Norte.
Eu, que já quase desistira dos restaurantes Indianos, Tailandeses ou Nepaleses em Lisboa, com raríssimas excepções pois gosto da cantina do Templo Hindu, e quando quero especiarias e fogo me dirijo aos Goeses, que esses sim me agradam de sobremaneira. Apesar de tudo queria e esperava uma refeição boa e diferente.

Tive tudo isso e mais ainda, pois a gentileza e a simpatia de todos os que por lá trabalham já é meia batalha ganha para a casa. Os pontos começam a contar antes de chegar a comida, e só pára a contagem quando deixa de haver motivos.

Tudo o que comi estava muito bem feito e mesmo o Karai Gosh que não me encheu as medidas, tinha boa carne e estava agradável, embora para mim, não ao nível do resto. Bom o nan com queijo, muito bom o papari masala com tomate e cebola, excelente o Keema (que me vai fazer voltar em breve para os meus filhos provarem , pois vão gostar)   e bizarro e misterioso o Patra (folhas de inhame recheadas) que surgiu já na conversa com o Hirene Tambaclal, com que acabámos a refeição, falando de comidas e das memórias e histórias dos sabores que viajam pelo mundo sem patrão nem regra. 

Saí a sorrir, contagiado por toda a gentileza com que fui recebido e ainda com um exemplar do livro Calcutá Bairro da Índia da Prime Books, que  me ofereceram. Saí, preparando-me para voltar.  

11/09/2014

Setembro - uma semana nas Cabanas

Vão acabando as férias neste fim de Portugal, já quase Espanha, onde o sol teima em aquecer e o mar agora tem a temperatura que aqueles que vieram em Agosto desejaram em vão. Bons tempos para fartar o corpo de calor e sal antes do outono/inverno que está quase aí.

Vir até Cabanas significa, entre outras coisas, ir à Noélia para sorrisos e excelente comida.
A minha filha fica nervosa na antecipação e concorda que ao almoço é que é, para se comer até fartar e ter tempo para fazer calmamente a digestão durante a tarde.
Há sempre novidades, mas poucas de cada vez, pois este é daqueles sítios em que procuro o conforto dos sabores conhecidos, como quem procura comida de mãe ou avó. Uma forma de receber e acarinhar.

Desta vez foi a estreia para o Jaime (o meu mais velho) e á saída comentou: Agora percebo porque é que falavam tanto deste restaurante!

Para novidades tivemos os Areeiros, um peixe chato (na forma) como o linguado e delicioso como poucos. Chegaram fritos e foram abençoada novidade que, na companhia da açorda de ameijoas com coentros, fez as delícias do pai e da filha. O Jaime deliciou-se com filetes de bacalhau e arroz de tomate.
Antes houve tostas com gaspacho e muxama e ainda um especial da Noélia para a minha princesa que adora atum. Tartaro de atum com abacate, manga e gengibre - pode ser pouco algarvio mas é delicioso. No fim ainda dividimos entre os três uma inesperada e muito boa mousse de figo.

Amanhã voltamos para um almoço de despedida, sem lágrimas, mas sim com fome e alegria de saber que nos esperam coisas boas. Nos outros dias comemos em casa...ou seja, como tu dirias - à suivre


28/08/2014

Ontem ao jantar no Boi-Cavalo





Já fui a muitos restaurantes. Não fui a todos os que queria (nem perto disso) mas fui a bastantes para ter uma ideia do que pode acontecer.

Fui a restaurantes bons, outros maus, a maioria normais. Mas também fui a sítios de fugir, outros de voltar, sítios onde gostaria de viver e ser da família de quem cozinha, sítios que não entendi a razão para o dinheiro gasto, casas onde o propósito é estragar uma refeição a alguém, locais de arrogância, casas onde não sabem o valor que têm, restaurantes onde só por pensar neles se abre um sorriso no peito e outros que dão urticária. Sítios simpáticos, confortáveis, manhosos, memoráveis, irrelevantes, cantinas boas e más, tascas boas e más. Sítios onde tudo tinha de ser pedido e outros em que o numero de copos e talheres me fazia antecipar e temer o tédio. De tudo um pouco

Gosto de experimentar restaurantes. Uns dias gosto de ser acarinhado e noutros espero a surpresa, gosto do raro conforto maternal mas, se conseguirem ativar outras zonas do cérebro(que não as do amor e carinho) também  podem, senão conquistar-me logo, pelo menos deixar a vontade de voltar para ver se o momento se pode repetir.

Li, no excelente Mesa Marcada, as palavras da Paulina Mata sobre eles e fui inoculado pela curiosidade. Investiguei mais um pouco e fui dar à Alexandra Prado Coelho e pensei 2-0 para este Boi-Cavalo, quero ir lá!
É assim, em impulsos, que nascem as desilusões, mas quando tal não acontece, sabe bem.

Convidei os amigos em função das minhas expectativas e levei os mais chegados. Faltaste tu por não estares em Lisboa, mas levei-te no coração e na conversa. Não sei se será bizarro demais para ti, mas sei que irás nem que seja pela minha companhia. Essa será a próxima visita.
Faltou o Bernardo por outros motivos, mas fica prometido assim que for possível e se ainda houver vontade,

Lá fomos, a Andrea, o Miguel e eu, um grupo que já fez outras excursões, à descoberta do Boi Cavalo.
De táxi desde o Chiado até à rua das Escolas Gerais, onde está um semáforo e a linha do elétrico curva para começar a subir no caminho que leva atá ao Largo da Graça. Na rua passou uma miuda de mini saia e botas pretas. O taxista disse: gosto das botas!
Saímos do carro e continuámos a pé (3 ou 4 minutos) pela rua das Escolas Gerais até à rua do Vigário. Hesitámos frente à porta, mas o número estava certo e era ali o Boi-Cavalo

Fomos recebidos por um sorriso. Boa ideia. pensei. E voltei a pensar o mesmo durante a refeição, pois esse sorriso salvou as falhas no serviço. As falhas não são importantes e o sorriso sabe bem, mas vinho branco fresco é importante, principalmente no Verão e a nossa garrafa só ficou com a temperatura certa no final da refeição.

A tábua de pão e manteiga foi bem recebida. Vínhamos com alguma fome e as manteigas de ovas de bacalhau e salsa eram deliciosas, tal como as bolachas caseiras e o pão.

Escolher uns pratos não foi fácil pois quase tudo era intrigante e apelativo. Devia ter pedido uma lista para agora poder escrever os nomes corretos, mas não o fiz e asim luto em vão com a memória.

Pedimos uns carapaus à espanhola com gel de Alvarinho que foi a única coisa que não voltaria a pedir. Não compreendi a consistência do carapau (curado em sal?) e o gel de Alvarinho desiludiu.
De seguida vieram lulas com "five spice" e tinta de choco e, se fosse um desenho animado, teria andado aos saltos pela casa até parar com um sorriso na cara. Delicioso e excitante. As texturas das lulas e da massa que as envolvia e fazia lembrar massa de farturas, ideia reforçada pela cobertura de especiarias, a espessa tinta de choco e os legumes que vinham com ela, o sabor de tudo aquilo junto ou separado, fazia sentido para mim, embora na mesa houvesse opiniões discordantes por causa das especiarias adocicadas. Eu fiquei aqui conquistado e nem na altura nem agora me recordo do carapau.

Veio o pato a baixa temperatura com um molho excelente, doce, ácido e crocante, vieram também uns lingueirões, que achei no limite do sal, com guiozas de açorda (ideia estranha, pensei) surpreendentemente deliciosas, veio o tartaro de carne de cavalo com flocos de bonito que tal como as lulas não teve unanimidade na mesa. Eu não gostei muito,  achei seco e a precisar de algo que o acordasse, no entanto a  A. e o M. gostaram.

Então o Miguel pediu pão para acabar com o molho do pato e a Andrea achou que tínhamos de pedir mais qualquer coisa para comer depois do intervalo do cigarro.

O pedido foi: bochechas de porco com pão frito e molho de caldeirada e ainda peixe espada preto com pepino e um molho que não recordo mas era muito bom, acho que tinha calda de cana...

Ainda chegámos às sobremesas e fizemos bem pois a torta de laranja deles é deliciosa, apesar de não se entender a dureza da "bolacha" de queijo de cabra, cujo sabor se adequa muito bem à torta, mas que se mostrou muito difícil de partir. A outra sobremesa falhou pois ninguém compreende um donut rijo e seco. Se prometem donut, espera-se uma coisa mole e macia e este era o oposto. Mas os sabores eram bons.

No fim digo que quase todos os pratos testados me (nos) agradaram, por serem bons e curiosos. Por não serem perfeitos. Por terem detalhes que não causam unanimidade mas agitam. Ocorrem palavras que não me apetece transcrever pois são redutoras. Fico-me pela sensação com que saí de lá e que foi um claro "quero voltar".        


24/01/2014

Actualidades do comer(...)

Ando com escritos por acabar, mas não há meio.

Ele é toucinho do céu e bolo de cenoura, pelo lado dos doces e na frente salgada estão penduradas as codornizes com arroz. Coisas que tenho feito e penso que merecem referência.

Mas o que agora me fez escrever, foi o restaurante O Fialho no Casal de S. Brás - Amadora

Nos finais do ano passado, o Pedro falou-me num restaurante onde tinha ido com o irmão e que, segundo ele, era mesmo um sítio a visitar, coisa de elevado nível na escala das gulodices alentejanas.
Disse-me também que era muito complicado lá chegar e ele não fazia ideia do caminho, nem tinha a certeza do nome, por isso teria de perguntar ao irmão.
A conversa agradou-me(muito) e decidi não esperar pelas informações, e ir em busca delas.
Qualquer pessoa que não seja info-excluído, vai ao Google e escreve "restaurante alentejano casal de S. Brás" e encontra uma crónica do José Quitério sobre um tal Fialho. Depois de ler a dita, não restam dúvidas que é aquilo e por meio do GPS (no meu caso recorri ao Gonçalo, um amigo com carro e essa modernice da navegação)  chega-se lá.
Por fora não se parece com nada, mas nós não somos dados ao desânimo. Por dentro também não entusiasma a princípio, com os seus tons cremes e prata(fórmica e metal) remetendo a décadas passadas e alguma decoração esverdeada (são sportinguistas por ali), mas assim que nos cumprimentam e sentam, tudo muda.

Fui lá 3 vezes antes de me decidir à escrita, e nessas visitas provei:
  • cogumelos
  • farinheira
  • queijo de Serpa
  • manteiga da boa(fatias de toucinho)
  • bucho
  • iscas à alentejana
  • fritada de javali
  • migas com carne de porco
  • cozido de grão
  • açorda de cação
  • ensopado de borrego à pastor
  • ...
e tudo me soube muito bem.
As iscas são das melhores que alguma vez comi, o ensopado e o cozido são perfeitos na sua singeleza, e o resto vai-se provando sem arrependimento.
Estamos apalavrados para uns "Ossos de porco com feijão e nabiças" coisa de que nunca antes ouvira falar mas que me parece cheia de promessas e me põe a salivar desde já

Vão ao Fialho com calma e comam tudo o que puderem. Voltem ao Fialho e experimentem coisas novas, oiçam os conselhos e deixem-se levar por este Alentejo que está ali na Amadora.

Dados:
Rua Sebastião da Gama, N.º 1, Casal de São Brás
Amadora
214 942 899
(Fecha à terça-feira)

29/06/2013

Aniversário

Também podia ter chamado a isto, S. Pedro na Osteria.
Desta vez foi almoço e reparei que a luz do dia entrando pelas várias portas ajuda a criar ainda mais ambiente. Aquilo é mesmo cozinha dos amigos e neste momento, para mim, o sítio ideal para ir em grupo (não pode ser um grupo gigante que a casa não é grande) comer, beber e conversar animadamente.
Claro que nem todos gostarão, mas qual é o restaurante de que todos gostam?
Outros, podem ter dificuldade em perceber porque gostei tanto das duas visitas, mas aquele ar assumido de tasca italiana, a comida boa e  sem vergonha de se apresentar simples, sem enfeites nem floreados, a gentileza de quem nos recebe, tudo contribui para fazer desta Osteria o sítio onde me apetece estar. Por isso quando se colocou a hipótese de um almoço de anos não tive dúvidas.

Desta vez veio também a minha mãe e o meu filho e testamos coisas diferentes - só repetimos a sobremesa.

Burrata, penne com tinta de choco, atum de coelho (tonno di coniglio),caponata e uma frittata com parmesão. Comemos tudo, e nesta segunda visita o que gostei mais foi do coelho, que é uma espécie de escabeche, servido frio com focaccia a acompanhar. Uma delícia que quero apresentar ao meu amigo Pedro  que gosta muito de coelho, gosta de escabeche,  mas odeia atum e não sei se o convenço a provar uma prato com tal nome apesar de não levar nada do dito peixe.
Obrigado a todos, em especial ao João e à Chiara que contribuiram para um belo almoço de anos.

Nesta semana fui ainda a outra tasca, esta Portuguesa e já minha conhecida. A Taberna Amorim ao pé do estádio do Belém. Comi as priomeiras sardinhas do ano e estavam bem boas. Terça feira volto lá para o polvo à lagareiro.

Vivam as tascas onde se come bem

14/06/2013

Santo António na Osteria

Não é normal para mim, ir a um restaurante pela primeira vez, bater com o nariz na porta (sort of) e dizer que me ficou a apetecer voltar.
Voltei na pior noite do ano para o fazer - 12 de junho, meia Lisboa na rua e eu (em boa companhia) a entrar pela Madragoa na esperança de jantar na Osteria.
Assim que vi a porta pensei: não está cheio, talvez ...
- Fizeram reserva?
- Não!
- São 2?
- Sim!
- Podem sentar-se aqui mas a mesa está marcada para as dez...
Isto dito com um sorriso, e porque eram ainda 8, não me pareceu mal.
Eu queria experimentar os petiscos de tasca italiana,  queria gostar da Osteria , queria sacudir a má sina dos restaurantes falhados e para isso escolhi a noite de Sto. António!!!
Posso já dizer um viva ao Santinho, pois tudo correu pelo melhor

Os empregados (João ele e João ela , como nós) foram excelentes. Simpáticos, descomplicados e eficazes. Explicaram tudo, escolheram a comida por nós e no resto do tempo deixaram-nos entregues ao que ali nos levara

O João aconselhou:

  • Vitello tonnato
  • Lasagna (diferente do costume, muito leve, vão gostar de certeza! - foi  oque ele disse)
  • Risotto de gambas
  • Gnocchi fritti com copa e mortadela


Não quisemos o risotto para não esticar demasiado a corda logo na primeira visita.

Gostei muito do vitello tonnato, leve e fresco como a noite pedia
A lasagna é realmente diferente e deliciosa. Não tem molho de toamte nem branco, tem curgetes, tomate, queijo e é muito boa. No dia seguinte armei-me em artista e fiz para o jantar. Eu e a minha filha perante a lasagna à moda da Osteria e a mini-gourmet aprovou.

Só os gnocchi fritti (uns fritos grandes e salgados que se abrem ao meio e recheiam como se de uma sanduiche se tratasse) não nos fascinaram, talvez por terem chegado quando já não tínhamos fome.
De resto, e contando com a bela sobremesa que não tinha grande aspecto (parecia uma bolacha recheada) mas era deliciosa, com o café e a grappa foi uma bela refeição.

Vamos voltar em breve pois é daqueles sítios onde me sinto bem e quero levar os meus amigos para partilhar com eles estas alegrias que vão escasseando.


A Osteria fica na Madragoa - rua das Madres 52-54